MPE poderá abrir processo se houver indícios de participação policial em mortes em Manaus

Violência urbana e insegurança geral: Final de semana foi marcado por mais de 30 homicídios por arma de fogo e outras dez tentativas. Secretária de Segurança Pública não consegue explicar, mas pede calma à população

Manaus (AM), 20 de Julho de 2015
LUANA CARVALHO

Monteiro ressaltou que ainda não há nenhuma prova concreta de que a o massacre tenha sido cometido por PMs, mas que essa possibilidade não deve ser descartada (Antônio Menezes )
O clima é de medo e tensão. Ao longo do último sábado e domingo, ao menos 35 homicídios e 10 tentativas de assassinatos foram registrados em Manaus.  A “matança” começou depois que um sargento da Polícia Militar foi executado, com quatro tiros, durante um assalto em uma agência bancária na Zona Centro-Sul ainda na tarde de sexta-feira (17). O secretário de segurança pública, Sérgio Fontes, não descarta a possibilidade de "vingança".

O procurador-geral de justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), Fábio Monteiro, informou que  a Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap) poderá abrir um  processo para investigar as mortes, caso seja constatado indícios de envolvimento de policiais nos crimes.

“Se houver relação entre os crimes e estes tiverem sido cometidos por vingança por conta da morte do policial, considero um absurdo. Assim como é absurda a morte do sargento, mas é ainda mais absurdo que uma série de mortes tenha sido motivada por vingança, pois a polícia é um braço armado do Estado”, disse o procurador-geral.

Monteiro ressaltou que ainda não há nenhuma prova concreta de que a o massacre tenha sido cometido por PMs, mas que essa possibilidade não deve ser descartada no decorrer das investigações.

“A princípio, a polícia sabe como agir. Sabe que tem que encontrar os criminosos e entregá-los à justiça. As leis não podem ser usadas ou manipuladas em favor de alguém. O Estado tem que investigar. Se houver indícios de participação policial nos crimes, o MPE abrirá procedimento”.

Em entrevista à A CRÍTICA na noite deste domingo (19), Sérgio Fontes destacou algumas semelhanças entre os crimes cometidos. “Não posso dizer agora que foi uma disputa de tráfico, mas pode ter sido. Houve uma dissidência entre a facção Família do Norte (FDN) no presídio e esses conflitos costumam repercutir fora da cadeia. Mas há coincidências que não podem ser descartadas, como por exemplo, as balas serem do mesmo calibre”, comentou.

Fontes lamentou as mortes  e pediu para que a população não se sinta ameaçada. “Estamos intensificando o policiamento nas ruas e não vamos sossegar enquanto não identificarmos os autores de cada crime. É lamentável, pois estávamos reduzindo os índices. Este foi um desvio de curva que será severamente combatido”, ratificou.

‘Estranha coincidência’

Na sexta-feira, o secretário declarou que achava o número elevado de mortes uma “estranha coincidência” após o homicídio do sargento. Ontem ele voltou a declarar que “nenhuma possibilidade de investigação seria descartada”.

“Tanto faz se é uma briga entre o crime organizado ou uma vingança ilegal. O fato é que isso não vai nos impedir de localizar os acusados com tanta prioridade quanto vamos identificar e prender os assassinos do sargento”, ressaltou.

Pânico e ameaças

Enquanto isso, o terror se espalha na capital, principalmente nas redes sociais. Há imagens circulando nos grupos policiais com a citação “Quero levar um bandido. Posso?”. Após a morte do sargento Afonso Camacho Dias,  44, policiais que preferiram não se identificar  comentaram que  agiriam como  “motoqueiros fantasmas” para localizar os  suspeitos.

Os  mesmos  comentários são ecoados no portal acritica.com. Ainda ontem, boatos de que o governador José Melo iria decretar ‘estado de sítio’ se espalharam. Mas a informação foi desmentida  pela Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom).

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